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Olá! Sejam bem-vindos ao meu espaço. Aqui, posto minhas vivências relacionadas à educação. Sou Professora dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Trabalho na Rede Pública e procuro contribuir de uma forma eficaz para o desenvolvimento dos meus alunos. Gosto muito de ler e escrever. Sou graduada em Pedagogia e Letras. Sou apaixonada pela Educação e procuro sempre melhorá-la a partir de meus próprios atos. Entrem, fiquem à vontade. Podem copiar o que quiser, contanto que deem os devidos créditos. Pois, uma coisa que não suporto é plágio. Crescemos mais quando compartilhamos as coisas boas que possuímos. Sou apaixonada pelo que faço, por isso sou FELIZ! "A educação não é a preparação para a vida, é a própria vida." (John Dewey)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Resenha crítica sobre o período pré- saussuriano e Saussuriano, produzida por Ana Cláudia Albuquerque


Estudante de Ciências Jurídicas- FACOL e de LETRAS- Língua Portuguesa- UFPE, 20 anos, leitora assídua e que carrega consigo a esperança de um futuro melhor.


A Linguística nem sempre foi considerada uma ciência, pois para receber tal denominação é necessário ter uma teoria, um método de investigação e um objeto de estudo claro e objetivo. A ciência Linguística adquiriu o status de ciência a partir do século XIX, com o advento de conceitos e de postulados que rompiam com os estudos desenvolvidos até então, do linguista suíço Ferdinand de Saussure, considerado por muitos o “pai da Linguística Moderna”.
É no século XX onde se inicia de fato a história da ciência linguística, onde há uma modificação no contexto dos estudos linguísticos; onde há uma transição entre o período pré-saussuriano e saussuriano. Destarte, vê como necessário a observação da seguinte afirmação: “A história da linguística propriamente dita começa no século XX com o estruturalismo europeu, mais especificamente com a publicação póstuma, em 1916, do Curso de Linguística Geral, de Ferdinand de Saussure”. (LUCIANO; PIRES, 2010, p.111)
O período pré-saussuriano possui três perspectivas teóricas, três fases, que são as seguintes: a primeira é a Filosófica; a segunda é a Filológica; e a terceira é a Histórico-Comparatista. A fase Filosófica é pautada nas profundas reflexões filosóficas dos gregos, referentes ao surgimento da linguagem, tendo como alicerce a lógica analogista (aristotélica) ou o uso corrente anomalista (estoica), objetivando a construção de uma Gramática como disciplina normativa, mas sem uma visão científica, pelo fato de ter como berço o pensamento filosófico. Os analogistas afirmavam que a linguagem era um sistema corrente governado por leis e indicando tais categorias por tais formas. Em oposição a eles, os anomalistas diziam que a linguagem não possui regularidades e está dominada pela arbitrariedade.
A fase Filológica surgiu com os alexandrinos, que definiram esta fase como o estudo da elucidação de textos, interpretando-os e comentando-os; estudos menos filosóficos. Tais estudos receberam muitas críticas, pelo fato de dar maior relevância à língua escrita, não se importando como deveria com a modalidade falada; contribuíram bastante para o surgimento e consolidação da terceira fase do período pré-saussuriano.
A fase Histórico-Comparatista inicia-se com a descoberta do sânscrito, mostrando os vínculos de parentesco com a língua grega, latina, eslava, germânica e céltica; surge então a gramática comparada, tendo como método de investigação técnicas de comparação que investigavam a modificação da língua. A Linguística preocupava-se com a observação das línguas no decorrer da história, ou seja, como elas evoluem, e não como se dá o seu funcionamento, por intermédio de sua evolução no contexto histórico em que estava inserida. Havia uma observação sistematizada dos estados evolutivos das línguas, observação essa, influenciada pelas teorias evolutivas de Charles Darwin sobre a “Origem das Espécies”.
Como foi falado anteriormente, foi graças aos argumentos de Ferdinand de Saussure, que a Linguística se consolidou como uma ciência. Ele definiu o objeto de estudo da ciência, a língua; o método de análise sistemático, a sincronia; e a matéria, os fenômenos da fala, tornando a ciência linguística um sistema autônomo. Compreendia a linguagem como um fenômeno unitário, complexo; e a língua como um sistema de valores que opõem uns aos outros e que está depositado como produto social na mente de cada falante.
Para obter um melhor entendimento da língua, Saussure divide os estudos linguísticos em dois eixos: o sincrônico e o diacrônico, a sincronia se trata do estudo dos estados da língua e a diacronia do estudo da mudança linguística, e salienta que:

[...] cada língua constitui praticamente uma unidade de estudo e nos obriga, pela força das coisas, a considerá-la ora estática ora historicamente. Apesar de tudo, não se deve esquecer que, em teoria, tal unidade é superficial, ao passo que a disparidade dos idiomas oculta uma unidade profunda. Ainda que no estudo de uma língua a observação se aplique ora a um aspecto ora a outro, é absolutamente necessário situar cada fato em sua esfera e não confundir os métodos. (SAUSSURE apud COSTA)

Os estudos linguísticos saussurianos são perspectivas estruturalistas, pois compreendem elementos interdependentes, conectados e complexos. Devido a essa complexidade, ele dividiu a sua teoria de modo dicotômico, isto é, aos pares, para melhor promover a descrição e a compreensão do seu objeto teórico, a língua. Os pares são os seguintes: langue/parole; sincronia/diacronia; significado/significante; sintagma/paradigma. A langue (língua) pertence ao universo social e a parole (fala) ao universo individual, é um ato individual, passível de interferência de fatores extralinguísticos e onde se verificam a vontade e a liberdade individuais.
A Linguística consiste no estudo científico da linguagem humana, que reflete as possibilidades infinitas do pensamento e da imaginação através do uso efetivo da língua. A linguagem humana não se caracteriza apenas pela vontade de trazer uma informação, mesmo porque ela é também para enganar, para clarificar seus pensamentos, para provar sua habilidade ou simplesmente para brincar, ou seja, a linguagem é um meio específico, que não somente serve para transmitir ou veicular pensamentos formados, mas também organiza o pensamento, ordena a experiência, desenvolve a consciência social do indivíduo. Portanto, o homem cria linguagem, e não simplesmente produz linguagem, pois ela ultrapassa a funcionalidade e a atividade.
Como se vê, os estudos saussurianos possuem uma vasta relevância para o campo linguístico, não só porque foi através deles que a Linguística adquiriu o status de ciência, mas principalmente porque foi por intermédio dos postulados de Saussure, que a ciência Linguística ultrapassou os limites com outras ciências, fazendo com que ela tenha uma relação com diversas áreas do conhecimento, e concomitantemente, inserindo sua complexidade no universo científico como um todo, pois em toda e qualquer ciência, a linguagem se faz necessária para a sua compreensão.


REFERÊNCIAS
CARVALHO, Castelar de. Para compreender Saussure: fundamentos e visão crítica. 3. Ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Ed. Rio, 1982.

COSTA, Hilda Rodrigues da. Saussure e os Estudos Linguísticos no Século XX: Linguística aplicada. Disponível em: < http://www.ileel.ufu.br/anaisdosilel/pt/arquivos/gt_lg07_artigo_5.pdf ‎>. Acesso em: 29 dez de 2013.
LUCIANO, Dilma Tavares; PIRES, Carolina Leal. Dimensão Transdisciplinar na Formação do Professor. Vol. 1. Recife: Editora Universitária, 2010.
LUCIANO, Dilma Tavares; PIRES, Carolina Leal. Dimensão Transdisciplinar na Formação do Professor. Vol. 2. Recife: Editora Universitária, 2011.

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